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sábado, 30 de março de 2013

Homofobia: Sobre Violação de Direitos Humanos e Agressão Materna

No metrô, percebi que um cara com características de skinhead estava me olhando e fazendo sinal de negativo com a cabeça. Não sei em que momento ele começou a me observar. Eu estava distraído, mexendo no meu celular, pouco me importante com quem estava ao redor, literalmente fechado em meu mundo.

Aquela situação me deixou preocupado, subindo as escadas rolante, ele se virou e novamente fez sinal de negativo com a cabeça, depois me olhou mais duas vezes antes de sair da estação. Era mais de meia noite, havia pouca movimentação em frente a estação. Acendi um cigarro e fiquei esperando o cara seguir o seu caminho, para depois seguir o meu com mais tranquilidade. Esse situação me deixou extremamente triste. Não sei o porque aquele cara estava me olhando com ar de reprovação.

Hoje, me deparo com um vídeo de muito mal gosto, postado por Rafael Araujo. No vídeo ele finge ser gay para ver a reação da mãe dele. Numa atitude cheia de preconceito, a mulher começa a agredir o rapaz, mostrando sua intolerância e falta de respeito com uma comunidade que sofre com tantas agressões no Brasil, muitas das vezes sendo mutilados e mortos por conta de sua orientação sexual.

Não consigo definir o comportamento dessa senhora. Não posso chama-la de animal, pois ao contrário dela, o instinto animal defende a sua prole. No discurso fundamentalista, chamam os gays de aberração. Se somos aberrações, o que seria essa senhora? Senti vergonha de ver esse vídeo, de ver uma mulher completamente insana, agredindo o que naturalmente ela deveria proteger.



Por conta de lideranças fundamentalistas, como a dos Deputados Marco Feliciano, Jair Bolsonaro, João Campos e Senadores Magno Malta e Marcelo Crivela e ainda de pastores como Silas Malafaia, esse comportamento é estimulado cada vez mais em nossa sociedade. Fico estarrecido quando ouço que a aprovação do PLC 122 tornaria o gay como um cidadão privilegiado. O mínimo que deveríamos ter, num país tão cheio de intolerância como o Brasil, é respaldo jurídico para que os crimes homofóbicos sejam punidos com o agravante de ódio.

Gravar um vídeo se desculpando, é o minimo que essa senhora deveria fazer, em respeito aos milhares de gays que existem nesse país. Por conta desse tipo de intolerância, agressões homofóbicas ocorrem diariamente nas ruas. Sem contar as agressões que não chegam a se concretizar fisicamente, como a que fui submetido no metro. Fui agredo psicologicamente, por alguém que se sente no direito de julgar o que é certo ou errado em nossa sociedade.

Se a nossa ocupação nas rua não está surtindo efeito, temos que mudar de estratégia e começar a ocupar a ONU, denunciando os abusos que são cometidos aqui no Brasil e a violação do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, no qual nosso país é signatário. Estou cansado de pedir "por favor, me respeite". Está na hora dos movimentos sociais tomarem uma posição realmente efetiva. Está na hora de alguns setores, que recebem dinheiro público, romperem com o Governo e lutar pela causa que esses grupos foram fundados.

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